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ICPAC desenvolve projeto em parceria com o CMDCA-JP que integra tecnologia, música e cultura nordestina para promover a inclusão de crianças e adolescentes
O Instituto dos Cegos da Paraíba Adalgisa Cunha (ICPAC), em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de João Pessoa (CMDCA-JP), está desenvolvendo, ao longo de 2026, o projeto “A tecnologia e as artes como recurso de inclusão de crianças e adolescentes com deficiência”, uma iniciativa que integra oficinas de informática acessível, flauta doce e xaxado, promovendo oportunidades de aprendizagem, desenvolvimento da autonomia, valorização cultural e inclusão social.
A iniciativa é executada por meio do Termo de Colaboração nº 023/2026, firmado com a Prefeitura Municipal de João Pessoa, através da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania (SEDHUC) e do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FMDCA), no âmbito das políticas de garantia de direitos vinculadas ao CMDCA-JP.
Essa parceria representa um importante incentivo ao fortalecimento de ações voltadas às crianças e adolescentes com deficiência, possibilitando a ampliação de oportunidades educacionais, culturais e de desenvolvimento pessoal. O projeto também evidencia a importância da atuação conjunta entre o poder público, os conselhos de direitos e as instituições da sociedade civil na promoção de uma sociedade mais inclusiva.
Voltado para crianças e adolescentes na faixa etária de 6 a 17 anos, o projeto prevê o atendimento de 30 participantes, contemplando usuários cegos, com baixa visão e com deficiência intelectual. As atividades são desenvolvidas na instituição, com uma proposta que associa diferentes formas de conhecimento e expressão, respeitando as particularidades, necessidades e potencialidades de cada participante.
A iniciativa tem como principal objetivo ampliar as oportunidades de inclusão por meio da tecnologia e das artes, complementando o processo educacional e contribuindo para o desenvolvimento pessoal, acadêmico e social. Ao reunir recursos digitais, musicalização e dança popular, o projeto busca estimular habilidades que ultrapassam o ambiente das oficinas e podem ser aplicadas em diferentes situações do cotidiano.
Na área de informática acessível, as atividades são conduzidas pelo instrutor Renan Bezerra, que desenvolve um trabalho voltado à familiarização dos participantes com computadores e recursos tecnológicos adaptados.
As aulas envolvem experiências práticas com os equipamentos, utilização de recursos de acessibilidade e acompanhamento individualizado, considerando o nível de conhecimento e o ritmo de aprendizagem de cada aluno. Para os participantes com deficiência visual, são utilizados recursos de voz e outras ferramentas que possibilitam a navegação e a interação com os dispositivos.
O trabalho já vem apresentando resultados bastante positivos. Ao longo das atividades, os alunos demonstram avanços significativos no manuseio dos equipamentos, maior familiaridade com os recursos digitais e desenvolvimento de habilidades importantes para a utilização da tecnologia com mais segurança e autonomia.
Esses conhecimentos representam um importante recurso para a inclusão educacional, permitindo que crianças e adolescentes ampliem suas possibilidades de acesso à informação, à comunicação e às ferramentas utilizadas na vida escolar. A longo prazo, essas experiências também podem contribuir para a formação acadêmica e para futuras oportunidades de qualificação profissional.
No campo artístico, a oficina de flauta doce, conduzida pelo instrutor Otto de Souza, vem proporcionando aos participantes o contato com a linguagem musical por meio do aprendizado de um instrumento.
As atividades trabalham elementos como ritmo, melodia, percepção auditiva, respiração, postura corporal e técnicas de execução, além da construção gradual de um repertório musical. O processo de aprendizagem combina exercícios práticos com experiências sensoriais, estimulando a concentração, a coordenação motora e a expressão artística.
A musicalização também contribui para o desenvolvimento da escuta, da memória e da convivência, oferecendo aos participantes a oportunidade de descobrir novas habilidades e compartilhar experiências por meio da música.
Outra importante atividade é a oficina de xaxado, ministrada pelo instrutor Rivanildo da Silva, que trabalha a valorização da cultura nordestina por meio da dança popular. A proposta, intitulada “Xaxado no Tato e no Solo”, busca aproximar os participantes dessa manifestação cultural utilizando o ritmo, o movimento corporal e diferentes percepções sensoriais.
O xaxado, tradicionalmente associado à história e à identidade cultural do Nordeste, é apresentado de maneira acessível, explorando o som das pisadas, as vibrações transmitidas pelo solo, a percepção tátil e a orientação espacial.
Para crianças e adolescentes com deficiência visual e intelectual, essas experiências contribuem para o desenvolvimento da coordenação motora, da consciência corporal, da socialização e do sentimento de pertencimento ao grupo. Ao mesmo tempo, a atividade possibilita o contato com elementos históricos e culturais da região, fortalecendo o reconhecimento e a valorização das tradições populares.
Além do aprendizado das coreografias e dos movimentos, o trabalho coletivo desenvolvido durante os ensaios estimula a interação entre os participantes, a construção de vínculos e a confiança para se expressarem artisticamente diante do público.
Os resultados do projeto, desenvolvido em parceria com o CMDCA-JP, já começam a ultrapassar os espaços das oficinas e ganhar visibilidade em apresentações culturais realizadas pela instituição.
No dia 23 de setembro, crianças e adolescentes participantes das oficinas de flauta doce e xaxado integraram a programação do Show de Talentos ICPAC 2026, evento realizado em alusão ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.
As apresentações possibilitaram que os usuários compartilhassem com familiares, profissionais e convidados parte dos conhecimentos adquiridos durante as atividades, demonstrando suas habilidades musicais e artísticas. A participação também representou uma oportunidade de fortalecimento da autoestima, da confiança e do protagonismo das crianças e adolescentes.
O desenvolvimento das oficinas continua, e novas apresentações dos grupos de flauta doce e xaxado estão previstas para o final do ano, como parte das atividades de compartilhamento dos resultados do projeto. Esses momentos permitirão acompanhar a evolução dos participantes e celebrar, junto às famílias e à comunidade institucional, os aprendizados construídos ao longo dos meses.
As atividades são desenvolvidas com acompanhamento contínuo, respeitando as características individuais dos usuários e valorizando os avanços observados durante o processo. Mais do que a aprendizagem de conteúdos específicos, o trabalho busca contribuir para o desenvolvimento integral dos participantes, envolvendo aspectos educacionais, culturais, motores, emocionais e sociais.
Para o ICPAC, a parceria com o CMDCA-JP reforça a importância das políticas públicas e do investimento em iniciativas que promovem a garantia dos direitos das crianças e adolescentes com deficiência. O acesso à tecnologia, à educação e à cultura representa uma condição essencial para ampliar oportunidades e combater barreiras que ainda limitam a participação desse público em diferentes espaços da sociedade.
Com resultados já perceptíveis nas oficinas de informática e nas apresentações culturais dos grupos de flauta doce e xaxado, “A tecnologia e as artes como recurso de inclusão de crianças e adolescentes com deficiência” segue proporcionando experiências significativas e fortalecendo o trabalho desenvolvido pelo ICPAC.
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